(via troublemakerguy)
(via troublemakerguy)
Nem toda a melancolia do mundo chega perto de expressar o descontentamento de viver que tenho tido nos últimos tempos.
Qualquer um vê sabe que não vivo. Apenas sobrevivo, por promessas que fiz e teimo em não descumprir pra manter o resto de consideração que as pessoas mais importantes ainda tem por mim. Porem isso não tira em nenhum momento todo o peso e dureza de existir que tenho carregado em minhas costas.
Não consigo mais ver cor nas coisas. Não vejo motivos reais pra sorrir de verdade, e a felicidade escapou de minhas mãos. Fugiu, como quem diz que nunca mais vai voltar, e disse pra que eu me acostumasse a viver sem ela.
Os dias tem se tornado cada dia mais cinzentos e chuvosos. Comida não tem gosto, e só me serve de combustível. Não canso de caminhar, porque nem sei mais o que é sentir as pernas. Meu corpo se tornou um peso morto que arrasto pelos cantos da cidade, aguardando o tempo passar como quem espera um trem que nunca mais vai vir.
Quando vejo casais, tenho duas reações momentâneas. A primeira é de raiva (pura inveja) e a segunda, melancolia. Saudades de um tempo que foi pra nunca mais voltar mas ainda sim permanece encrustado na minha alma como quem me persegue feito um fantasma.
Pior mesmo que morrer, é viver uma não-vida.
Todo dia ela acorda com seus olhos de ressaca, entreabertos com medo de olhar o mundo.
Levanta sem vontade, anda sem vontade, tudo por não ter vontade de acordar.
Procura um copo de café, e leva um cigarro consigo.
Senta ao vento, observa o mundo, sente o sol, sente o que sente, ou o que jamais quis sentir.
Procura alguma coisa, procura algum conserto.
Quer organizar a sua vida, mas nem seu armário ela consegue.
Seus óculos estão tortos, mal colocados, de lentes sujas.
Marcas de dedo, marcas da vida, marcas da noite.
Seus ombros doem, e seu pescoço também.
Sua vida arde, sua vida arte.
Seus pulmões falham.
Levanta de novo, cigarro acaba.
Pega o isqueiro, e o copo também.
Caminha até o balcão, deixa tudo na pia.
Só leva sua dor, seus olhos e seus óculos.
Caminha uns passos, vai até o quarto.
Deita de novo, se cobre sozinha.
Se encolhe de novo, se vira sozinha.
Dorme de óculos, acorda no escuro.
O sol inda bate, mas tudo é tão duro.
A vida não anda, a vida só vai.
Ela não sabe o que fez, e nem sabe o que faz.
O ser humano (em especial o homem) está fadado por uma herança maldita. A herança da complexidade.
O que, se não a complexidade nos faz ser o que somos? É o que nos diferencia da maioria dos outros animais.
Nossas estruturas são possivelmente mais complexas. E de uma forma triste, a complexidade da nossa composição cerebral ocasiona inconsequentemente na complexidade de tudo que provém de nós. Pensamentos, e é claro, infelizmente os sentimentos.
Erros, no ser humano, são bem mais pertinentes do que em qualquer outro tipo de animal. Basta observar um cachorro para tirar as conclusões.
Quando voltamos pra casa após deixar nossos adoráveis cães sozinhos durante um longo e estressante dia, voltamos e nos deparamos por vezes com zonas indescritíveis feitas por quem mesmo? Claro, nossos cachorros. Na hora, quando gritamos, brigamos e xingamos nossos cães, eles ficam arrependidos, encolhem as orelhas e colocam o rabo entre as penas. Se recolhem.
A falta de complexidade sentimental dos mesmos faz com que, em poucos minutos, o adorável cãozinho volte alegre, feliz, como se não tivesse acontecido nada.
Bom, essa é uma desgraça que só nós, seres humanos carregamos: a culpa.
Eu diria que as maiores desgraças ocorrentes nos seres humanos são apenas duas: o amor, e a culpa.
Por vezes as duas estão intrinsecamente ligadas, o que acaba por piorar a situação em um nível incomensurável.
Desde pequenos, os nossos pais, amigos, parentes e pessoas em geral, artistas, cantores, escritores, viventes, andantes, posteres, banners, pichações, nuvens, folhas, flores, cheiros, vivências, e qualquer outra coisa nos ensinam a importância e complexidade desse sentimento que nomeamos de amor.
Bom, é sobre um amor que vim falar aqui agora.
Por anos da minha vida sempre considerei o amor uma completa bobagem como qualquer outro componente metafísico do universo. Pra mim não existia. Por vezes até considerava sinal de fraqueza e achava um retrocesso pra psique humana, e prum bem estar geral.
Amor pra mim, mesmo antes, e principalmente agora sempre foi sinônimo de extremos. É um sentimento interdependente de correspondência. É como uma chave e uma fechadura. Uma margem que não consigo quantificar determina o caráter sentimental que o amor vai causar em ti. Caso impar: uma tortura. Caso par: um paraíso indescritível. É um mundo de extremos. Uma linha tênue sem muitas opções de fuga. É como a escravidão tida por si mesmo em consequência de vivências e tragédias românticas que se sucedem ao decorrer de determinado tempo. Eu acho que é com o amor que você aprende sobre a maioria dos outros sentimentos interdependentes, como saudade, raiva, ciúmes, ternura, doação, intimidade, aconchego, felicidade, e tristeza. É como se fosse a locomotiva de todo o trem sentimental. Claro, que antes de conhecer o amor, você até conhece os demais sentimentos, mas duvido que sinta com tanta intensidade como quando depois que acaba por conhecer esse doce carrasco chamado de amor.
“O meu amor, tem um jeito manso que é só meu”. Chico Buarque raramente falha em suas palavras, tão expressivas, e em tão poucas sentenças. Mas chego a pensar por vezes que tenho dó dele. Como pode um homem entender tanto de amor sem ter passado por tudo que o mesmo pode lhe oferecer? Ou seja, desde os maravilhosos caminhos da felicidade até os tortuosos caminhos da indecisão, dúvida, medo e profunda depressão.
Bom. Eu tenho um amor (ou pelo menos tive). Foi por tempos (e de certa forma segue a ser) a coisa mais maravilhosa que já aconteceu em toda a minha vida. Eu não sei explicar nós dois mas ela parece ser a peça que faltava pra botar sentido em noventa por cento das coisas que pra mim não fizeram o mínimo sentido por todo esse tempo que passei como vivente por aqui. Reparei no por do sol com carinho pela primeira vez quando ela estava aconchegada aos meus braços. Dei meu corpo, meu mundo e meu peito pra ela usar como abrigo, e não pensaria duas vezes antes de trocar tudo por ela. Não pensei duas vezes, e fui isso que fiz. Joguei a vida pro algo, um caminho certo e de possível sucesso, um transporte pra decisão final de minha vida profissional e quiçá pessoal só pra ter mais um pouco daquela felicidade que vicia, que tive passando alguns instantes da minha vida ao lado dela. Foram os mais significativos. Os mais breves, porem mais significativos. Em tão pouco tempo ela conseguiu ganhar a importância que mais ninguém da minha vida conseguiu ter pra mim. Irmão, Pai, Mãe, ou qualquer outra pessoa da minha vida que se queira comparar a ela em questão de importância perdia catastroficamente.
Eu sei que soa um tanto horroroso dizer uma coisa dessas, mas ela me prometeu não mentir nem em coisas bobas, e é por isso que sigo a dizer isso, grito pro mundo inteiro ouvir se quiser.
Cansei sem cansar de escrever músicas, textos, sonetos e poemas numa busca interminável de tentar descrever o quão maravilhosa tudo que ela tem e é acaba por ser, só por consequência de ser um pilar da construção da personalidade dela.
Não sei descrever tanto amor. Quando penso em números, o infinito é aproximado de zero em comparação a tudo que sinto por ela. Não pensei duas vezes antes de fazer tudo que fiz por ela, e não precisaria pensar. Faria tudo e ainda mais se precisasse. Saio da minha casa, jogo a vida fora, corro a Avenida Paulista, tudo de novo e em dobro se for preciso.
Um dia então, por conta de ocorridos que nem sequer ocorridos o brilho dos olhos dela quando olhava pra mim de repente se escondeu.
Não deixo de amar ela, não vou deixar, e vou manter aquela aliancinha de barbante branco no meu dedo até que o tempo venha fechar meus olhos por consequência das vivências vividas e não vividas na roda tênue que chamam de vida.
E quero explicitar aqui, pra todos que me leem, que quando eu morrer, num último ato desesperado da tentativa de mostrar pra ela o que sou e não deixo de ser até o fim, quero que escrevam no meu último lar de repouso: “Um homem que amou Juliana Masuyama”.
E se eu não cumprir mais essa promessa, quero que todos os que carregarem meu sangue indiretamente pelo resto do sempre, sejam amaldiçoados pela desgraça que tem me acompanhado.
E Juliana, minha amada. Eu não tenho tanta certeza que 2+2=4 quanto tenho certeza que “eu amo você” direcionada à teu nome me define.
Toda a poesia perde o sentido quando muito universalizada e cantada por todas as bocas que se vê por aí. O neologismo e distorção de entendimentos acaba por se tornar tão massivo, que consequentemente o sentido original - o sentimento, a razão, a inspiração - de que aquilo foi proferido, se perde dentre tantos outros. A poesia perde o sentido, e logo então inevitavelmente, morre.
Por isso, das minhas poesias mais profundas só sabe você. Quando a terceiros mostro, digo que é pra você. Porque, veja bem, meu bem. Se não fosse pra você, por você e você, não havia de ser o que foi. Nada haveria de existir. É porque você, porque eu.
Minha vida é uma história escrita pelo dedo de deus da desgraça.
Vai, meu bem.
Segue em tuas estradas.
Navegue em teu barco e vá meu bem.
Ao sabor do vento, seja lá pra onde ele te leve.
Vai meu bem.
Segue tem caminho em uma direção qualquer.
Coloque tua venda e siga sem saber
Pra onde é que seus passos te levem.
Vai meu bem, só vai.
Quero que olhe pra frente e veja o horizonte.
Olhe pra algo que não te lembres de mim.
Mas se mesmo assim lembrar.
Volte pra mim.
| Ele: | Se você pudesse ser outra pessoa, quem seria? |
|---|---|
| Ela: | Qualquer uma além de mim. E você? |
| Ele: | Ninguém além de mim. |
| Ela: | Por quê? |
| Ele: | Tu me ama, certo? |
| Ela: | Sim. |
| Ele: | Ora, apesar de eu não gostar muito da minha aparência, nem dos meus defeitos, talvez até da minha personalidade, ser outra pessoa muito provavelmente não me traria o que mais importa pra mim nessa vida, que é a resposta "sim" à minha pergunta anterior. |